CINEMA | DIVERSIDADE
Funcionários da Pixar acusam Disney de censurar personagens LGBTQIA+ em suas histórias
Funcionários alegaram que executivos da Disney, exigiram cortes de “quase todos os momentos de afeto abertamente gay” nas produções da Pixar.
LIPE JUSTINO - CAMPINAS SP
12/03/2022 - 01:00h

Funcionários da Pixar acusam Disney de censurar personagens LGBTQIA+ em suas histórias (Foto/Reprodução)
Nesta quarta (09/03), uma carta atribuída por funcionários da Pixar ao site Variety, denunciou ao público que executivos da Walt Disney Company vem censurando personagens com histórias homo afetivas no estúdio de animação adquirido em 2006 do visionário Steve Jobs.
Equipes criativas e, até mesmo lideres do estúdio de animação 3D, protestaram pela prática abusiva da companhia. A reação segundo a Variety aconteceu após um memorando encaminhado por e-mail a todos os funcionários do conglomerado pelo CEO Bob Chapek na segunda-feira (7), em resposta à legislação aprovada recentemente na Flórida, conhecida como projeto de lei “Don’t Say Gay” (Não diga gay, em português).
Apesar de no memorando, Chapek afirmar que o “maior impacto” que a empresa pode causar “na criação de um mundo mais inclusivo é através do conteúdo inspirador que produzimos”, funcionários da Pixar contestam que na prática, a Disney cortou várias tramas com personagens LGBTQIA+:
“Nós da Pixar testemunhamos pessoalmente belas histórias, cheias de diversos personagens, voltando de críticas corporativas da Disney reduzidas a migalhas do que eram antes”, afirma a carta. “Mesmo que a criação de conteúdo LGBTQIA+ fosse à resposta para corrigir a legislação discriminatória no mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo.”
Até o momento, podemos conhecer apenas alguns personagens da comunidade gay nas produções da Pixar. Em “Procurando Dory”, um suposto casal de mulheres aparece rapidamente em uma cena do parque aquático, onde se deparam com a personagem principal e o polvo Hank num carrinho de bebê.
Em 2020, a Pixar lançou a personagem Spectre em “Dois Irmãos”, uma policial ciclope assumidamente gay, motivo que levou a proibição do filme no Kuwait, Omã, Catar e Arábia Saudita e, na Rússia, a palavra “namorada” foi alterada para “parceira”. No mesmo ano, o curta “Out” (Segredos Mágicos), foi lançado no Disney+, que aborda a insegurança de um homem que sente dificuldade de assumir a sexualidade aos pais.
