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MASP apresenta nova coleção de seu acervo de moda em parceria com a Renner

Atualizado: 12 de abr. de 2023

A terceira temporada do programa MASP Renner traz criações de duplas de artistas e estilistas que discutem questões de identidade, sustentabilidade e suas relações com a tradição e a contemporaneidade



O MASP -- Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta as criações da terceira temporada do MASP Renner, projeto que convida duplas de artistas e estilistas para criarem desde 2018, de forma colaborativa, looks para integrar a coleção de moda do museu. Esta temporada, realizada entre 2021 e 2022, teve curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, Hanayrá Negreiros, curadora-adjunta de moda do MASP (2021-2022) e assistência curatorial de Leandro Muniz, assistente curatorial do MASP, e resultou em 22 looks inéditos, que discutem questões de identidade, sustentabilidade e suas relações com a tradição e a contemporaneidade. O programa tem patrocínio master da Renner e, ao todo, desenvolveu 76 looks, que refletem a diversidade cultural do acervo de obras de arte da instituição, bem como uma pluralidade de temas e linguagens.

“Moda e arte se relacionam diretamente e se manifestam de diversas maneiras. Para a Lojas Renner, unir cultura, tendência e sustentabilidade é fundamental para estabelecer conexões com diferentes públicos, em linha com a cumplicidade e o encantamento que são a essência da nossa marca. Por isso, desde 2019 apoiamos projetos e instituições por meio do selo Renner Cultural. Ficamos muito felizes em lançar mais uma temporada do MASP Renner e contribuir para dar visibilidade ao trabalho de tantos artistas brasileiros singulares”, afirma a diretora de Marketing Corporativo da Renner, Maria Cristina Merçon.

 

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Nesta temporada, foram convidadas nove duplas de artistas e estilistas de diferentes gerações, compostas por Aline Bispo e Flavia Aranha; Criola e Luiz Claudio Silva; Edgard de Souza e Jum Nakao; Larissa de Souza e Diego Gama; Lidia Lisbôa e Fernanda Yamamoto; No Martins e Angela Brito; Panmela Castro e Walério Araújo e Randolpho Lamonier e Vicenta Perrotta, Valdirlei Dias Nunes e Vitorino Campos.


“A cada nova temporada do projeto MASP Renner, novas questões atravessam os artistas, estilistas e curadores envolvidos. Atualmente, é inevitável pensar sobre as questões raciais, de gênero e classe, bem como refletir sobre história e sustentabilidade sanitária, econômica e social”, conta Leandro Muniz.

A artista Aline Bispo e a estilista Flavia Aranha interessam-se por plantas medicinais e simbólicas cujos usos são transmitidos oralmente na cultura brasileira. Bispo trabalha com ilustração digital e pintura a óleo, enquanto Aranha utiliza materiais orgânicos e pigmentação natural para o desenvolvimento de suas roupas. Uma de suas criações foi Cio da Terra 2, um vestido com alças feitas com sementes de jarina, também conhecida como marfim-vegetal e explorada nas práticas de desenvolvimento sustentável na região amazônica, especialmente na produção de biojóias. No corpo do vestido, Bispo pintou uma imagem livremente baseada no abacaxi de jardim, uma planta ornamental, utilizando pigmentos de pau brasil, urucum, crajiru e catuaba, que produzem uma coloração rosada e avermelhada.

A dupla da artista Criola e o estilista Luiz Claudio produziu três looks predominantemente feitos de kanekalon (cabelo sintético) e miçangas. O uso desses materiais está associado às práticas de cuidados com os cabelos nas comunidades negras, como na aplicação de tranças e alongamentos ou de adornos. As peças se conectam pelas franjas em suas laterais, formando uma tríade que relaciona padronagens e figuras de mulheres negras. A artista é reconhecida por suas pinturas em murais que representam figuras negras, em especial mulheres, repletas de padronagens baseadas na cultura urbana e nas religiões afro-brasileiras; já o estilista tensiona a construção meticulosa de roupas de alfaiataria com cores e padrões vibrantes, contrastando materiais nobres, como seda e cetim, e outros inusitados, como plástico ou palha.


 

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O artista Edgard de Souza e o estilista Jum Nakao se uniram na criação de uma peça costurada diretamente em um manequim do Acervo do MASP. Em Imanente, a dupla traduz para uma forma tridimensional um dos bordados sobre tela do artista, criando um look feito apenas de barbantes que borra os limites entre roupa e escultura. A produção de Edgard é permeada por questões ligadas ao corpo e à sua representação, seja por meio da escultura, pintura, gravura ou fotografia. Já o estilista é mundialmente reconhecido por seus trabalhos impactantes e por assinar coleções para diversas marcas. Seu desfile, A Costura do Invisível, feito por intrincadas roupas de papel que eram destruídas ao final do processo, é considerado um dos maiores desfiles do século pelo Museu de Moda de Paris.

A artista Larissa de Souza e o estilista Diego Gama trabalham a partir das histórias de suas famílias: ela com pinturas de uma paleta serena e figuras sintéticas em narrativas sobre o cotidiano de famílias negras e migrantes; ele a partir da atuação de seus antecessores como jogadores de basquete. Uma de suas criações, o Moletom Cajueiro possui um tom alaranjado pastel, recorrente no trabalho de Souza e a presença de cajus, que, para a artista, são símbolos de suas origens nordestinas. A dupla fundiu as castanhas dessa fruta em resina pigmentada e os adornos foram bordados por todo o look. A modelagem é baseada em conjuntos de moletons de manga longa, roupas usadas para a prática de esportes, mas feito de silicone, um elemento frequente nas criações de Gama. Completando as associações culturais, afetivas e geracionais que os conecta, Souza e Gama produziram um chapéu de algodão feltrado com látex que foi modelado no formato de uma panela, remetendo ao personagem Menino Maluquinho, criado pelo cartunista Ziraldo nos anos 1980.

Um dos pontos de contato entre a artista Lidia Lisbôa e a estilista Fernanda Yamamoto está na produção de formas orgânicas marcadas por diferentes texturas resultantes de intenso trabalho manual sobre os materiais. O look A rainha é feito por diversos materiais em tons de branco, com uma primeira camada em poliéster modelada como um kimono, peça recorrente nas coleções de Yamamoto e que remete à sua ancestralidade oriental. Sobre os ombros e o colo, uma série de botões, miçangas de pérolas e pedaços de tule foram bordados em múltiplas camadas e alturas, em alusão às séries de esculturas Cordões umbilicais e Tetas que deram de mamar ao mundo, nas quais Lisbôa utiliza esses materiais.

O artista No Martins e a estilista Angela Brito partem de suas histórias pessoais para discutir questões como história, divisão de poder e os sistemas raciais na sociedade. Martins produz pinturas e objetos que discutem as experiências de populações jovens negras no mundo contemporâneo, enquanto Brito cria peças de alfaiataria marcadas pela assimetria, um aspecto recorrente no vestuário cabo-verdiano. Juntos, produziram três roupas que se complementam por suas formas e cores. Baseadas em elementos do jogo de xadrez, como a síntese geometrizada das figuras e a alternância entre peças pretas e brancas, os looks também surgem de uma série de referências africanas, desde as divindades egípcias, até aspectos da moda e da cultura contemporâneas no continente, o que se reflete, em especial, no uso de aplicações douradas que foram bordadas na parte superior e nos chapéus dos looks.

Vestidos produzidos para serem usados por duas mulheres são recorrentes na produção da artista Panmela Castro, levantando discussões sobre performance de gênero e as relações de irmandade e afeto entre as pessoas desse grupo social. Vestido siamês foi produzido pela artista em parceria com o estilista Walério Araújo, trazendo aspectos conceituais do trabalho de Castro, como o interesse pelas noções de sororidade e dororidade, que são relações entre mulheres que compartilham os mesmos ideais e, no segundo caso, com ênfase nas lutas de mulheres negras contra as intersecções entre machismo e racismo. As experimentações de modelagem, o interesse por tecidos brilhantes e a paleta de cores, no entanto, são típicas da produção de Araújo, demonstrando os pontos de contato e diferenças entre a dupla.

O artista Randolpho Lamonier e a estilista Vicenta Perrotta partem de materiais, em especial têxteis, que são encontrados ou já usados por outras pessoas para construírem estandartes e roupas, respectivamente. Uma de suas criações, Casa Transcomunal, é composta por uma saia-barraca de poliéster sobre a qual foram aplicadas camisetas de movimentos sociais pelas causas LGBTQIA+, por moradia, igualdade racial, de gênero, reforma agrária, entre outras questões prementes no mundo atual. Nas mangas da jaqueta jeans na parte superior, foram aplicados guarda-chuvas e, nos ombros, evocando ombreiras, bonés vermelhos também de movimentos sociais. Ao utilizarem materiais que já têm história e foram recolhidos ao longo do desenvolvimento do look, a dupla discute a dimensão coletiva e política das práticas artísticas, bem como a preservação da memória desses grupos. O uso de materiais usados também levanta discussões sobre consumo, reaproveitamento, entre outras questões ecológicas.

A dupla do artista Valdirlei Dias Nunes e o estilista Vitorino Campos desenvolveu uma camisa de alfaiataria branca feita em algodão com modelagem tradicional, com uma etiqueta que marca as iniciais da dupla. A produção se baseia em conceitos como silêncio e simplicidade, materializados na forma e no tecido, compreendidos pela dupla de artistas como algo que pode estar presente em diversos guarda-roupas, em diversas épocas e grupos sociais.

O acervo de moda do MASP é um dos mais importantes do Brasil e foi incorporado ao museu em 1972 com as coleções desenvolvidas pela Rhodia na década anterior. O MASP Renner, ao longo de 2023, vai lançar um documentário de 20 minutos com os conceitos e procedimentos usados nos looks da 3ª temporada do projeto, além de pílulas e posts para as redes sociais explicando os conceitos e escolhas por trás das criações.

“Ao elaborarmos um projeto em que a roupa extrapola o sentido básico de cobrir um corpo e adentra um espaço museológico, criamos a possibilidade de estabelecer outras relações para a linguagem de moda. Aqui a roupa e o vestir se mostram interessantes plataformas para pensarmos assuntos que estão ‘na ordem do dia’, como política e sociedade, memórias e corporeidades não hegemônicas. Lançando mão da possibilidade de encararmos a moda como arte, encontramos no projeto caminhos possíveis para diálogos fecundos e plurais”, afirma Negreiros.

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