E se Robin Hood nunca tivesse sido um herói? Hugh Jackman protagoniza releitura sombria da lenda
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Produção da A24, distribuída pela Imagem Filmes, transforma o lendário fora da lei em um homem marcado pela violência e pelo arrependimento.
Publicado por LIPE JUSTINO

A A24 apresenta uma versão completamente diferente de uma das figuras mais conhecidas da cultura popular em "A Morte de Robin Hood", que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13), com distribuição da Imagem Filmes.
Dirigido por Michael Sarnoski, responsável por "Pig" e "Um Lugar Silencioso: Dia Um", o longa abandona a imagem tradicional do fora da lei generoso que rouba dos ricos para apresentar um Robin Hood envelhecido, ferido e assombrado pela própria trajetória de violência.
Interpretado por Hugh Jackman, o personagem sobrevive por pouco a uma última batalha e acaba sendo acolhido em um priorado isolado pela Irmã Brigid, vivida por Jodie Comer. A partir desse encontro, a narrativa passa a explorar os últimos anos de um homem obrigado a confrontar as escolhas que marcaram sua vida.
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Uma lenda virada do avesso
A inspiração de Sarnoski veio de uma antiga balada medieval sobre a morte de Robin Hood. Segundo o diretor, a história chamou sua atenção justamente por apresentar uma versão diferente da figura tradicionalmente associada ao herói.
Ao adaptar essa referência, o cineasta inverte a relação entre os personagens. A antiga figura da prioresa cruel se transforma em uma possibilidade de salvação para Robin, enquanto o lendário fora da lei passa a ocupar uma posição muito mais ambígua.
Como explica Sarnoski, a proposta foi examinar essa relação justamente no momento em que o personagem está no fim da vida e precisa lidar com aquilo que fez.
A própria ambientação acompanha essa mudança. Em vez de uma Inglaterra medieval romantizada, "A Morte de Robin Hood" apresenta um mundo marcado pela violência, pela pobreza e pela brutalidade do século XIII.
Hugh Jackman em um território conhecido
Hugh Jackman retorna a um tipo de personagem que já marcou alguns de seus trabalhos mais celebrados: homens envelhecidos, feridos e confrontados com as consequências da própria violência.
A trajetória passa por trabalhos como "Logan" e "Os Suspeitos", mas ganha uma dimensão diferente em "A Morte de Robin Hood". Aqui, não existe necessariamente um herói esperando recuperar sua antiga glória. O personagem precisa lidar com o próprio passado.
Segundo Jackman, o filme apresenta um retrato humano da trajetória de Robin, incluindo elementos como escuridão, arrependimento, dor e perda.
A transformação também aconteceu fisicamente. A figurinista Lorna Marie Mugan, conhecida pelo trabalho em "Peaky Blinders", colaborou com as equipes de cabelo e maquiagem para construir a aparência de um homem castigado pelo tempo.
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Um elenco de diferentes gerações
Ao lado de Hugh Jackman, o filme reúne nomes conhecidos e jovens talentos.
Jodie Comer interpreta a Irmã Brigid, responsável por acolher Robin depois de sua última batalha. A atriz é conhecida principalmente por "Killing Eve", produção que lhe rendeu reconhecimento internacional.
Bill Skarsgård vive Pequeno João, antigo parceiro de crimes de Robin. O ator, conhecido por trabalhos como "IT: A Coisa" e "Nosferatu", assume uma versão mais brutal do personagem tradicionalmente associado ao protagonista.
O elenco também conta com Murray Bartlett, vencedor do Emmy por "The White Lotus" e indicado por "The Last of Us", além de Noah Jupe, de "Um Lugar Silencioso" e "Ford vs Ferrari", e Faith Delaney.
Película, locações reais e efeitos práticos
A proposta de reconstruir uma versão mais física e brutal da lenda também está presente na estética do longa.
Michael Sarnoski e o diretor de fotografia Pat Scola rodaram a produção inteiramente em película, evitando o visual considerado mais limpo do digital.
A fotografia acompanha a transformação do protagonista. Os tons mais frios predominam durante a primeira parte da história, enquanto a chegada ao priorado introduz cores mais quentes conforme Robin começa a se recuperar.
O formato da imagem também muda ao longo do filme, passando de um enquadramento mais amplo para uma composição mais fechada e íntima depois que o personagem é ferido.
As gravações aconteceram em locações reais na Irlanda do Norte, região que também serviu de cenário para a primeira temporada de "Game of Thrones".
A trilha sonora original é assinada pelo músico folk britânico Jim Ghedi, que também empresta a própria voz às canções presentes no longa.
Quase nada de CGI
A proposta artesanal também chegou às sequências de violência.
Segundo o diretor, as próteses responsáveis pelos ferimentos e pelas flechas atravessando os corpos foram construídas fisicamente no set pelas equipes de efeitos especiais, incluindo Clare Ramsey e Josh Weston, integrante da equipe premiada de "Pobres Criaturas".
A caracterização de Murray Bartlett também foi realizada com próteses, sem utilização de efeitos visuais para modificar seu rosto.
Até as cenas de sangria entre Robin e Brigid foram realizadas com bolsas e tubos escondidos sob o corpo de Hugh Jackman, mantendo a proposta física da produção.
O compromisso com o trabalho artesanal se estendeu ainda às armas e aos figurinos, com peças construídas especificamente para a produção.
No fim, "A Morte de Robin Hood" não parece interessado em repetir a lenda conhecida. O filme parte justamente do que acontece quando o mito desaparece e resta apenas o homem por trás dele.
Heróis podem morrer. Mas o que acontece quando a própria lenda precisa encarar seus pecados?












































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