Thiago Calçado, o mineiro que transforma bonecos em estrelas do cinema
Com passagens por Kubo e as Cordas Mágicas, Ilha dos Cachorros e Pinóquio por Guillermo del Toro, o animador brasileiro agora participa de O Bosque Selvagem, que estreia em 29 de outubro.
Publicado por LIPE JUSTINO

Dar vida a personagens quadro a quadro exige precisão, paciência e um trabalho coletivo que vai muito além do que aparece na tela. É nesse universo que atua Thiago Calçado, animador brasileiro natural de Uberaba, Minas Gerais, que integra a equipe de O Bosque Selvagem, nova produção do estúdio LAIKA, dirigida por Travis Knight.
Com estreia nos cinemas brasileiros marcada para 29 de outubro, o longa chega ao país com distribuição da Imagem Filmes. A produção representa mais um capítulo na trajetória internacional de Thiago, que já trabalhou em filmes como Kubo e as Cordas Mágicas, Ilha dos Cachorros, A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets e Pinóquio por Guillermo del Toro.
Formado em cinema pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), o mineiro voltou a trabalhar com Travis Knight depois de participar de Kubo e as Cordas Mágicas, lançado em 2016. Desta vez, acompanhou O Bosque Selvagem desde as etapas iniciais de testes dos bonecos e das estruturas utilizadas na animação.
“Ver um filme nascendo do zero é muito emocionante”, conta Thiago, em depoimento divulgado no material de imprensa da produção. Ele explica que o trabalho começa em uma estrutura de testes conhecida como test unit, um pequeno cenário utilizado para experimentar bonecos e soluções técnicas, até chegar a sets maiores, que podem reproduzir cidades inteiras e reunir diversos personagens.
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O trabalho artesanal por trás da magia
A atenção aos detalhes é uma das características que mais impressionam Thiago na LAIKA. Segundo o animador, a equipe procura entender a finalidade de cada ferramenta e material antes de definir a melhor solução para o trabalho.
Ao descrever essa dinâmica no material de divulgação do filme, ele relata que até um pedido aparentemente simples pode resultar em diferentes opções de materiais e ferramentas. A escolha depende do que será construído e de quais superfícies precisam ser unidas.
Essa precisão acompanha todas as etapas da produção, da construção dos bonecos à preparação dos cenários. Em O Bosque Selvagem, segundo os dados divulgados pela produção, foram necessárias 231 semanas de trabalho para realizar os 2.804 planos que compõem o filme, com a participação de artistas, artesãos e técnicos.
O processo evidencia a dimensão do stop-motion, técnica em que os personagens são fotografados após pequenos ajustes de posição. Quando as imagens são exibidas em sequência, os movimentos ganham vida na tela.
De Uberaba para o cinema internacional
A carreira de Thiago Calçado começou a ganhar espaço no cinema brasileiro com Minhocas (2013), dirigido por Paolo Conti e Arthur Nunes, apontado no material de divulgação como o primeiro longa-metragem em stop-motion produzido no Brasil.
Em 2016, o animador participou de Kubo e as Cordas Mágicas, da LAIKA, e de Dyrene i Hakkebakkeskogen, longa norueguês inspirado na obra de Thorbjørn Egner. Dois anos depois, integrou a equipe de Ilha dos Cachorros, filme dirigido por Wes Anderson, que recebeu indicações ao Oscar® e venceu o Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim.
Outro marco veio com Pinóquio por Guillermo del Toro, lançado em 2022. Como animador sênior, Thiago foi responsável por animar a personagem Morte, dublada por Tilda Swinton na versão original. O longa venceu o Oscar® de Melhor Animação e conquistou diversos outros prêmios internacionais.
Ao comentar essa conquista no material de imprensa, Thiago destaca o significado especial do reconhecimento para uma técnica artesanal cujas produções são menos frequentes do que as animações feitas por computador.
“No stop-motion, uma técnica muito artesanal, com filmes muito mais raros de serem feitos, competindo com grandes estúdios que já ganharam várias vezes, ganhar tem um gosto ainda mais especial”, afirma. Na mesma declaração, ele ressalta a importância de ter trabalhado em uma produção de Guillermo del Toro, cineasta que considera uma referência.
O animador também resume sua visão sobre o propósito de fazer cinema: “A gente faz filme para contar uma história que toque o coração das pessoas e que, de alguma maneira, as faça refletir. O Oscar é só a cereja do bolo.”
Além da animação: direção e formação de novos talentos
A trajetória de Thiago também inclui trabalhos como diretor e criador. Ele comandou Ana Bolinha (2021), série de animação 2D com 13 episódios, e criou e dirigiu Sol em Dó Ré Mi (2024), exibida na TV Brasil. A série tem 15 episódios e combina animação 2D e stop-motion.
Outro trabalho internacional de seu currículo é A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets (2023), produção do estúdio britânico Aardman, conhecido por sua tradição na animação artesanal.
Além de trabalhar em filmes e séries, Thiago se dedica ao ensino. Ele já ministrou workshops e palestras na Espanha, na Polônia, em Portugal e na Noruega, abordando desde a atuação dos bonecos até a construção narrativa e o impacto emocional das cenas. Também participa de festivais e encontros com profissionais que estão começando na área.
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O que esperarde O Bosque Selvagem
Em O Bosque Selvagem, a aventura começa quando Mac, o irmão caçula de Prue McKeel, é levado por um bando de corvos. Para resgatá-lo, Prue, personagem dublada por Giulia Benite na versão brasileira, parte em direção a uma floresta misteriosa ao lado do amigo Curtis Mehlberg, dublado por Pedro Burgarelli.
No bosque, os dois encontram criaturas encantadas, perigos e segredos antigos. A jornada coloca à prova a coragem dos protagonistas e a força da amizade que os une.
Dirigido por Travis Knight, o longa é uma nova produção da LAIKA, estúdio conhecido por títulos como Coraline e o Mundo Secreto (2009) e ParaNorman (2012). A estreia brasileira está marcada para 29 de outubro, com distribuição da Imagem Filmes.
Enquanto o público se prepara para conhecer essa aventura nas telas, a participação de Thiago Calçado também chama atenção para os profissionais que trabalham nos bastidores da animação. Por trás de cada movimento, há um processo artesanal que transforma bonecos, cenários e pequenas mudanças de posição em histórias capazes de atravessar fronteiras.
Filmografia de Thiago Calçado
Darth Vader Meets John Williams (2010) — curta-metragem; diretor e animador.
Voices of South Africa (2013) — curta-metragem; animador.
Minhocas (2013) — longa-metragem; animador.
Clay Kids (2015) — série de TV; animador sênior.
Kubo e as Cordas Mágicas (2016) — longa-metragem; animador.
Dyrene i Hakkebakkeskogen (2016) — longa-metragem; animador.
Ilha dos Cachorros (2018) — longa-metragem; animador.
Ana Bolinha (2021) — série de TV; diretor.
Pinóquio por Guillermo del Toro (2022) — longa-metragem; animador sênior.
A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets (2023) — longa-metragem; animador.
Sol em Dó Ré Mi (2024) — série de TV; criador e diretor.
O Bosque Selvagem (2026) — longa-metragem; animador.
O Bosque Selvagem estreia em 29 de outubro nos cinemas brasileiros.












































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