Depois de conquistar os cinemas, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho vai ganhar os palcos
há 9 horas
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Daniel Ribeiro e Rafael Gomes se unem à equipe criativa para transformar o sucesso do cinema em uma montagem musical inédita, com estreia prevista para 2027.
Publicado por LIPE JUSTINO

Uma história que conquistou espectadores no Brasil e no exterior está prestes a ganhar uma nova linguagem. O filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, dirigido por Daniel Ribeiro, será adaptado para o teatro musical em um projeto que reúne o cineasta e o diretor e dramaturgo Rafael Gomes. A estreia está prevista para 2027.
A montagem acompanha Leonardo, um adolescente com deficiência visual que busca autonomia enquanto vive a descoberta do primeiro amor. No palco, a narrativa ganhará canções inéditas e uma nova abordagem dramatúrgica, preservando os temas de afeto, amizade, descoberta e inclusão que marcaram a obra original.
A equipe criativa também conta com Davi Novaes, responsável pelo roteiro ao lado de Rafael Gomes, e Guilherme Gila, que assina as músicas e letras originais.
Segundo Daniel Ribeiro, a vontade de levar a história para o teatro é antiga. O diretor explica que o interesse em explorar outras linguagens já havia motivado a criação de novos conteúdos sobre os personagens. “Sempre senti que o público queria saber mais sobre Leo, Gabriel e Giovana. Foi daí que surgiram os quadrinhos e, agora, o musical: uma forma de levar esses personagens para outras linguagens e para novas plateias”, conta.
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Do curta-metragem ao teatro musical
A trajetória dos personagens começou em 2010, com o curta-metragem Eu Não Quero Voltar Sozinho, que participou de aproximadamente 100 festivais internacionais e recebeu 78 prêmios.
Em 2014, a história ganhou sua versão em longa-metragem, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, que levou 204 mil espectadores aos cinemas brasileiros e conquistou reconhecimento internacional. O filme recebeu o Teddy Award e o Prêmio FIPRESCI no Festival de Berlim, além de ter sido escolhido como representante brasileiro na disputa pelo Oscar de 2015.
Em 2026, o universo da produção também chegou aos quadrinhos. Ilustrada por Bruno Freire e publicada pelo selo Seguinte, da Companhia das Letras, a HQ apresentou os personagens a uma nova geração de leitores.
Agora, o musical amplia esse percurso com uma adaptação pensada para o palco e para a linguagem musical contemporânea.
Inclusão e representatividade no elenco
Um dos pontos centrais do projeto está na escolha do protagonista. A produção realizará audições públicas em todo o Brasil para encontrar um ator com deficiência visual para interpretar Leonardo, reforçando o compromisso da montagem com a representatividade.
As informações sobre o processo seletivo e os critérios de participação serão divulgadas posteriormente.
Para Rafael Gomes, a adaptação representa a oportunidade de revisitar uma história conhecida e construir novas possibilidades artísticas. “Esse projeto nasce do afeto que muita gente tem por essa história, mas também do desejo de reinventá-la. O musical permite ampliar emoções, criar novas camadas e conversar com o público de hoje”, afirma.
O dramaturgo Davi Novaes também destaca a relação pessoal com a obra. Ele conta que o filme teve importância durante sua adolescência e o período em que descobria sua identidade como homem gay.
“Essa história foi muito importante para mim quando eu me descobria um homem gay, na adolescência. Agora, adulto, poder revisitar esse universo e levá-lo para o teatro é uma aventura muito feliz”, relata. Para ele, temas como primeiro amor, amizade e coragem continuam essenciais para uma sociedade mais diversa e igualitária.
Já Guilherme Gila descreve a composição das músicas como um reencontro com a própria juventude. O artista lembra que assistiu ao filme escondido em casa quando tinha idade próxima à dos protagonistas. Agora, como responsável pelas letras e músicas originais, pretende transformar essa memória em novas canções.
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Protagonistas originais voltam a se reunir
Para apresentar uma amostra do projeto, a produção convidou Ghilherme Lobo, Tess Amorim e Fabio Audi, protagonistas do longa-metragem, para gravar uma das canções do espetáculo.
A gravação foi realizada remotamente, já que Ghilherme Lobo e Tess Amorim moram fora do Brasil. Cada um registrou sua participação em casa, com o celular, enquanto Fabio Audi, que também toca piano, completou o trio.
De acordo com Daniel Ribeiro, a iniciativa foi pensada como uma forma de aproximar o público novamente dos três artistas e apresentar um primeiro contato com a proposta musical.
A participação dos protagonistas, porém, é restrita ao vídeo de divulgação. Eles não integrarão o elenco da montagem teatral.
Produção e previsão de estreia
Além de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Daniel Ribeiro dirigiu os longas 13 Sentimentos (2024) e Eu Vou Ter Saudades de Você (2026), além de trabalhos para o cinema e a televisão.
Rafael Gomes tem trajetória consolidada no teatro, com trabalhos como Um Bonde Chamado Desejo, Gota d’Água [a seco] e Nossa História com Chico Buarque. Já Davi Novaes e Guilherme Gila também trabalharam juntos na adaptação musical de Dom Casmurro (2024), reconhecida com prêmios de dramaturgia e composição.
O projeto de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho está em fase de captação de recursos e finalização da adaptação. A produção é da Substância Filmes, em parceria com a Art’n Company, e coprodução da Lacuna Filmes.
Com estreia prevista para 2027, o musical pretende apresentar a história de Leonardo, Gabriel e Giovana a novos espectadores, agora por meio de uma experiência que combina teatro, música e representatividade.













































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