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O estrategista que transformou a Disney no maior império de mídia do mundo diz adeus

  • há 7 dias
  • 3 min de leitura

Negociações históricas com Pixar, Marvel Entertainment, Lucasfilm e 21st Century Fox transformaram a The Walt Disney Company em uma potência global.


Publicado por LIPE JUSTINO


Créditos: Foto Reprodução / Bob Iger
Créditos: Foto Reprodução / Bob Iger

A saída de Bob Iger do comando da The Walt Disney Company, oficializada em março de 2026 com a posse de Josh D’Amaro como novo CEO, encerra um dos ciclos mais influentes da história do entretenimento mundial. Mais do que um executivo corporativo, Iger foi o estrategista que reposicionou a Disney como protagonista absoluta da cultura pop contemporânea.


Quando assumiu o cargo em 2005, a empresa enfrentava questionamentos sobre sua relevância criativa. A animação tradicional perdia força e a parceria com a Pixar estava próxima do fim. Em um gesto que se tornaria emblemático de sua gestão, Iger procurou diretamente Steve Jobs para reconstruir a relação entre os estúdios. O resultado foi a aquisição da Pixar em 2006, movimento que revitalizou o setor criativo da Disney e trouxe novas lideranças artísticas.


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A partir desse ponto, o executivo passou a conduzir uma estratégia baseada em propriedades intelectuais de forte apelo cultural. Em 2009, negociou a compra da Marvel Entertainment, apostando no potencial de personagens que já demonstravam força nos quadrinhos e nos primeiros filmes como Iron Man. Sob a liderança de Kevin Feige, o estúdio consolidou o Marvel Cinematic Universe, modelo narrativo que conectou histórias em produções como The Avengers e culminou no fenômeno global Avengers: Endgame.


O impacto desse formato foi imediato. O conceito de universos compartilhados passou a orientar a produção de blockbusters em Hollywood, influenciando a forma como o público consome cinema. Como observou o próprio Iger em conferência para investidores:“Histórias e personagens fortes são ativos duradouros. Eles atravessam gerações.”


Outro momento decisivo ocorreu em 2012, quando Iger negociou com George Lucas a compra da Lucasfilm, garantindo à Disney o controle da franquia Star Wars. O criador da saga afirmou à época que buscava uma empresa capaz de preservar seu legado e expandir o alcance da marca globalmente. A aquisição permitiu novos filmes, séries e experiências imersivas em parques temáticos.


A jogada mais ambiciosa viria em 2019, com a compra da 21st Century Fox, negociada com Rupert Murdoch. Avaliada em cerca de US$ 71 bilhões, a operação ampliou o catálogo da Disney, fortaleceu o portfólio internacional e contribuiu para a consolidação do Disney+ como plataforma estratégica na guerra do streaming.


Durante sua gestão, Iger transformou a Disney em um ecossistema integrado que conecta cinema, televisão, plataformas digitais, parques e produtos licenciados. Blockbusters deixaram de ser eventos isolados para se tornarem capítulos de narrativas contínuas e interligadas. Ao mesmo tempo, críticos apontam que a forte dependência de franquias pode ter levado a uma saturação criativa em determinados momentos.


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Créditos: Foto Reprodução / Josh D’Amaro
Créditos: Foto Reprodução / Josh D’Amaro

Ao assumir o cargo, Josh D’Amaro herda uma empresa financeiramente robusta e culturalmente dominante, mas diante de desafios como a rentabilidade do streaming e a necessidade de inovação artística. O próprio Iger resumiu sua filosofia de liderança em uma frase frequentemente citada no setor:“Desfrute do que você faz. Ame o que você faz.”


Com sua despedida, encerra-se uma era em que decisões corporativas moldaram não apenas o destino de uma companhia, mas também a forma como o mundo consome histórias. O legado de Bob Iger permanece como referência de visão estratégica, poder de negociação e compreensão profunda da cultura pop global.

 
 
 

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